Indispensável em qualquer decoração, o material contribui para a transição de ambientes. Vidro garante visual limpo e permite planejar belos efeitos de iluminaçãoNas salas, uso da transparência permite combinação com móveis de tonalidades escuras. A escolha correta dos materiais na hora de decorar um ambiente é essencial para alcançar o visual desejado e necessário ao espaço. Mas, com tantas opções no mercado, a tarefa não é fácil. O ideal é optar por aquele que tenha como uma de suas características a versatilidade.

É o caso do vidro, que tem propriedades únicas, como a transparência, que permite a passagem de luz e cria efeitos diferenciados na decoração. O recurso também é uma boa opção para dar sensação de amplitude e de integração, garantir melhor iluminação, entre outros benefícios. Para conferir esses efeitos, não faltam opções.

A designer de interiores do Shopping Minas casa Fernanda Berni conta que há diversos tipos de vidro no mercado, para os mais diferentes usos. “Pode-se pensar tanto em características estéticas quanto em acabamento e durabilidade. Alguns dos mais comuns são o laminado, o temperado, os coloridos, o curvo e o com acabamento acidado”, enumera.
Quanto ao emprego de cada um, Fernanda diz que o laminado é usado em locais onde é necessário que o material seja mais resistente, como as fachadas de prédios. Esse também é o caso do vidro temperado, que resiste bem à variação de temperatura e, por isso, é bastante empregado em tampos de mesa de jantar. “Há ainda o curvo, muito usado em móveis feitos de vidro, como mesas e cadeiras, e o comum, que tem diversidade e pode ser utilizado para os mais variados fins”, cita.
 

Na cozinha, facilidade de limpeza e resistência são fundamentais para quem procura praticidade (Eduardo de Almeida/RA Studio)  
Na cozinha, facilidade de limpeza e resistência são fundamentais para quem procura praticidade


Quando se fala em tendência no design de interiores, a indicação de Fernanda é o uso de vidros coloridos, que, segundo ela, possibilitam diversos usos, como em adornos e móveis. “Outro tipo de vidro é o com acabamento acidado, muito utilizado em portas de armário, pois tem a leveza do vidro associada à pouca visibilidade, o que resulta em mais privacidade para o que está guardado”, explica Fernanda.

Além desses, a arquiteta Camila Ferreira cita os translúcidos, como o jateado, “que combinam a leveza do vidro com a sutileza da translucidez, dando um toque de nobreza ao design de móveis e à decoração dos mais diversos ambientes. Mas há outros menos comuns, como o resistente ao fogo, o acústico, o autolimpante e o vidro com proteção solar”, comenta.

PREFERIDOS A arquiteta e sócia nas lojas da Dell Anno do Mangabeiras e da Savassi Érica Rolim aponta como os mais vendidos o espelhado bronze e os nas cores vanilla e grafite. “O espelhado é muito usado porque amplia o ambiente, enquanto os outros dois são nas cores da moda”. Independentemente da escolha, o vidro é um verdadeiro curinga na decoração, podendo ser usado em qualquer ambiente da casa, segundo Érica, mas desde que em quantidades pequenas ou em áreas mais extensas. “Geralmente é muito empregado em portas de armários, podendo ser em banheiro, quarto ou qualquer outro local. No entanto, em alguns ambientes ele pode ser menos usado, como na cozinha, pois os vapores de água e óleo ficam evidentes no vidro”, explica.

Segundo o arquiteto e designer de interiores Luís Fábio Rezende de Araújo, o material é 100% utilizado nos projetos. “Não há um espaço decorado que tenha um vidro ou espelho. Ele pode estar presente tanto em peças funcionais e de fechamento, como portas, janelas e coberturas, quanto em acessórios e mobiliários, como tampo de mesas, painéis, bancadas, entre outros”, exemplifica.

Nos banheiros e lavabos, o vidro e o espelho também são muito utilizados, de acordo com Luís Araújo. “O espelho, como forma de ampliar o espaço e proporcionar ao usuário sua reflexão e uso. Já com o vidro, podemos fazer bancadas de apoio, prateleiras de nichos, fechamento de boxes, prateleiras internas dos armários, enfim, muitas coisas fundamentais”, aponta.

Para a arquiteta Érica Rolim, vidro serve de curinga e variedade de efeitos facilita na hora de montar a decoração (Eduardo de Almeida/RA Studio)  
Para a arquiteta Érica Rolim, vidro serve de curinga e variedade de efeitos facilita na hora de montar a decoração


VERSÁTIL PARA TODA A CASA
Variedade de tipos de vidro permite que ele seja usado em qualquer ambiente doméstico, mas obedecer às suas restrições é fundamental para ter projeto bonito e também seguro


Antes de escolher o vidro, a primeira coisa é pensar onde ele será utilizado e qual o seu objetivo no espaço, como indica a arquiteta Fernanda Curi. Se o material for usado em boxes, guarda-corpo, portas e janelas, por exemplo, será necessário que seja mais resistente. “Se a ideia é usar o vidro como elemento estético, podemos empregar os coloridos (laqueados), espelhos e os translúcidos em móveis, como armários de cozinha, painéis e fechamentos de ambientes”, aponta.

Aproveitamento da iluminação natural é um dos principais atrativos no uso do produto dentro de residências. Atenção à segurança, porém, é fundamental nos projetos (Eduardo de Almeida/RA Studio)  
Aproveitamento da iluminação natural é um dos principais atrativos no uso do produto dentro de residências. Atenção à segurança, porém, é fundamental nos projetos
Para o arquiteto e designer de interiores Luís Araújo, a princípio, é preciso associar a necessidade do produto com seu risco. Em locais que demandam maior segurança e peças maiores, a indicação é usar os temperados ou laminados. “Boxes sempre serão feitos em vidro temperado, por estar inseridos em local de grande variação térmica, ter contato manual, estar sempre em movimento e, às vezes, ainda sofrem pequenas colisões de impacto”, explica.

 

Devido às suas dimensões e segurança no uso, os temperados também são muito bem-vindos em salas de estar e jantar. “Nesses espaços, os clientes gostam de obter uma base de mesa que possa utilizar tampos em vidro. A espessura fica a gosto de cada um. Logicamente que o vidro mais espesso fica mais interessante e imponente”, indica Luís Araújo.

Os espelhos também são usados nesses ambientes e em banheiros, com o efeito da expansão visual e da neutralidade do material. “Por ser um material sem cor, textura e bem neutro, harmoniza-se perfeitamente quando utilizado com outro produto de acabamento, como a madeira, a laca e o tecido”, diz o arquiteto.

EFEITOS
 Versátil e requintado, o recurso também pode ser utilizado como revestimento do mobiliário, como a própria base da mesa de jantar e outros móveis na sala de estar. “O espelho no tampo de mesas de centro, canto e jantar cria um efeito superdiferente e impactante”, diz Luís.

No quarto, pode ser encontrado em vários locais, como em tampos de bancadas e criados, portas dos armários – nesse caso, jateado ou laqueado, para maior privacidade da parte interna – e em prateleiras de estante. Segundo Luís, no caso do espelho, “além de ser usado com função estética, decorando o local, serve como instrumento de uso, permitindo à pessoa se ver até mesmo de corpo inteiro”.

Flexibilidade para ser transformado em móvel permite peças funcionais como esta mesa de cabeceira (Eduardo de Almeida/RA Studio)  
Flexibilidade para ser transformado em móvel permite peças funcionais como esta mesa de cabeceira


Outro local em que ele é bem-vindo é na cozinha, apesar da resistência de alguns. No espaço, as opções indicadas são incolor, laqueado ou jateado. “Eles podem ser utilizados em portas de armários, em bancadas de lanche ou mesa de almoço e em painéis decorativos. O vidro tem grandes características para esse ambiente, que são a fácil limpeza e manutenção”, explica Luís.

Na hora de fazer as escolhas do que e como empregar em cada ambiente, é importante considerar a funcionalidade e a facilidade de manutenção, segundo Fernanda Berni. “É preciso pensar se o vidro comum atende o uso ou se é necessário um tipo que ofereça mais segurança. Após definir a função, deve-se pensar em estética, decidindo se trabalhará com vidro transparente, opaco ou colorido, por exemplo.”

TENDÊNCIAS Para quem gosta de seguir o que está mais em voga no que se refere à decoração com vidros, no momento, a tendência de cor aponta para o cinza, conforme Érica Rolim. “Mas o que predomina é o gosto do cliente e o aconselhamento do decorador e do arquiteto, que mostra quais vidros combinam com quais superfícies e coloca uma cor de vidro em cima de uma lâmina de madeira para que o cliente visualize como será o resultado.” 

De acordo com Luís Araújo, o vidro refletente está em alta, sendo muito utilizado pela capacidade de se transformar de acordo com sua inserção no projeto. “Tenho utilizado muito em painéis no living, escondendo a TV por trás. Nesse caso, embutimos a TV encostada no vidro refletente, que faz o fechamento, e criamos uma caixa negra por dentro”, explica. 

Luís conta que o refletente é um vidro translúcido que tem a função de espelhamento e permite a entrada dos sensores dos controles remotos dos equipamentos. “Quando a TV estiver desligada, o equipamento fica imperceptível, sendo visto apenas um grande painel de espelho. Assim que é ligada, a imagem fica marcada perfeitamente no painel de vidro, sendo possível o usuário assistir ao que está sendo televisionado sem ver a estrutura da TV, apenas a imagem, tão nítida como se estivesse externamente.”

A BELEZA DA LEVEZA

 

Depois de tantas informações sobre as possibilidades dos vidros na decoração, pode-se concluir que os resultados obtidos também são inúmeros. Muitos, inclusive, inesperados, de acordo com Luís Araújo. “O vidro traz sempre resultados positivos. Consegue dar leveza a um móvel maior e mais robusto, cria divisórias entre ambientes, que podem ou não ser adesivadas, protegem bancadas e mesas com sua utilização sobre o tampo”, cita.

 
"Após definir a função, deve-se pensar em estética, decidindo entre o vidro transparente, opco ou colorido" - Fernanda Berni, designer de interiores


Mas, como ocorre com qualquer material, não deve ser utilizado de forma predominante, como aconselha Luís. “Um projeto em que 90% do material empregado é o vidro e seus derivados, com certeza é um projeto frio, perigoso, desconfortável e desinteressante. Todo projeto precisa da conjugação entre vários materiais e produtos diferentes, criando, assim, um espaço homogêneo e harmônico”, justifica.

 

Fonte: Uai - Jornal o Estado de Minas

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